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De bem com a Vida

Terapia em grupo: que tal experimentar?

Se existe essa opção para melhorar sua qualidade de vida e o convívio entre as pessoas, por que não?

É natural do ser humano a necessidade de pertencer a um grupo familiar, de amigos ou de uma determinada instituição. Mas quando isso não é possível pelos caminhos naturais da vida, que tal cogitar a procura de uma terapia em grupo?

“Mesmo com o estímulo do mundo virtual, todos sentimos a falta de um contato mais pessoal. Além disso, temos a responsabilidade de fazer boas escolhas para viver com qualidade, e a terapia em grupo pode ser uma das maneiras de se repensar e buscar essas escolhas”, explica a Dra. Mel Velloso, psicóloga e educadora responsável pela criação do método Neurall, com foco no que é positivo e no resgate de potenciais físicos, mentais e emocionais que estiverem adormecidos.

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Mas quando sabemos a hora de recorrer a esse tipo de ajuda? Na opinião do psicólogo Dr. Reinaldo Renzi, que lida com terapia em grupo (entre outras especialidades), “sempre que nos vemos passando por um processo pessoal que nos cause sofrimento ou mesmo perturbe a relação do indivíduo perante o meio em que vive, é a hora de procurar um psicólogo”.

Além disso, a Dra. Mel ressalta que, em qualquer circunstância da vida, esse tipo de terapia também pode ser cogitado. Afinal, o relacionamento está entre os cinco fatores que ajudam a diminuir até mesmo a incidência de certos tipos de demências, como, por exemplo, o Alzheimer. São eles: o relacionamento pessoal, o controle de riscos cardiovasculares, alimentação saudável, treinamento cognitivo e atividade física. “O relacionamento é imprescindível para nos manter saudáveis, e a terapia é um dos caminhos para manter nossa autonomia na longevidade.”

Como funciona?

Recomendada para um grupo de três ou mais pessoas que tenham questões ou problemas em comum, durantes as sessões, os participantes têm a oportunidade de se identificar com as vivências do outro e também de se sentirem acolhidos por alguém que os compreende pela experiência vivida em comum.

“O fato de todos poderem trocar experiências e reflexões também é benéfico e os auxilia no processo elaborativo. E como o grupo é supervisionado e dirigido por um psicólogo, o processo acaba sendo extremamente positivo”, ressalta o Dr. Reinaldo.

Após uma prévia entrevista, um psicólogo pode ajudar a pessoa a decidir se a terapia em grupo pode lhe trazer maiores benefícios ou não. “Cabe ao médico identificar em seu atendimento a necessidade de psicoterapia e encaminhamento do paciente, que se tiver também um quadro clínico que demande medicamentos, seguirá sendo medicado e acompanhado clinicamente”, completa o médico.

Para as pessoas mais retraídas, geralmente, a terapia em grupo é uma excelente saída. Nesses casos, elas inicialmente apenas observarão caladas as sessões e, aos poucos, conforme forem se identificando com as situações relatadas, vão se sentindo mais à vontade e prontas para acrescentar informações ou perguntar.

Outros benefícios

Pesquisa realizada pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) revelou que um dos tipos de terapia em grupo, chamado interpessoal, pode ser usado em pessoas que sofram do transtorno do estresse pós-traumático, geralmente presente em vítimas de choques emocionais intensos.

Após as sessões, foi constatada a melhora de 50% dos sintomas das pessoas com quadro de depressão e ansiedade, e de 80% com questões ligadas à qualidade de vida e ajustamento social. O estudo foi realizado com 40 pacientes do Programa de Atendimento e Pesquisa em Violência (Prove), da Universidade, e os resultados foram medidos por meio de uma escala internacional, que classifica os sintomas com uma pontuação de 0 a 136. A média inicial dos pacientes era de 72,3 e caiu para 36,5, com tendência de recuperação total após seis meses de tratamento.